Antes do telhado
Março lembra que para expandir é preciso criar bases
Uma reflexão sobre ciclos, estruturas internas e recomeços — inspirada na energia simbólica de março em ano universal 1.
Queriam que ela construísse uma casa sem pilares.
Que edificasse a sua vida sem fundações.
A criança não precisa apenas de uma casa.
Precisa de um lar.
O adulto irá voar do ninho.
E uma casa irá ter, para talvez transformar em lar.

Na vida adulta existe a possibilidade de reconstrução dos pilares internos e de criar o próprio poiso… literalmente ou metaforicamente.
A possibilidade de recomeçar depois de um ciclo, de um inverno. Talvez seja por isso que existem os ciclos — a alquimia do tempo1.
Março traz sol e primavera.
É tempo de olhar com olhos de artista: expandir a visão, crescer, desabrochar com coragem e pintar também a nossa tela em construção — a nossa arte, a nossa criação.
O tempo não pára nem anda para trás. Tudo já está em movimento crescente.
É a arte da possibilidade, com os pés bem assentes na terra. A mesma terra que guarda a nossa história, as nossas raízes.
As sementes que lançarmos no solo pedem labor, sentido de dever e responsabilidade. Delas poderá nascer a primavera que desejamos.
Há uma primavera interior que pode observar a primavera lá fora. Não a dos outros, mas a da Natureza. A musa inspiradora. A professora intemporal da ciclicidade.
Março traz cor e lembrança para cuidar do terreno interno — do solo onde nascem as raízes. De criar significado nas nossas ações, nos sonhos, nas palavras e nas relações que sustentam as raízes.
Semear, cultivar e cuidar. Edificar e reconstruir o que for preciso. O caminho passa por aqui. Não por estas palavras, mas pelos verbos em si… afinal estamos num início de ciclo, em ano universal 1, de ação.
Até porque nenhum lar começa pelo telhado e nenhuma planta cresce sem raízes.
E como tal, permite-me esta curta mas profunda pergunta?
Onde sentes que te faltam bases ou estrutura?
Alquimia do Tempo é título de um livro de Numerologia de Helena Sousa.

